Se tu morresses amanhã, há de saber
se encontraria motivos, no dia, pra crer
que a noite a traria de volta, de manhã,
Se tu morresses amanhã!

Se tu morresses amanhã, mal saberia
discernir meu peito quente de tua pele fria
que o vento de lá sopraria - um doloroso afã,
Se tu morresses amanhã!

Se tu morresses amanhã, iria eu
em uma taça de vinho, um sorriso teu
atrás daqueles - lembras? Lábios maçã!
Se tu morresses amanhã!

(Continua)

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Se o vento é forte e tu o precisas,
espero que entendas - tens de entender!
Se no outono tu vives de brisas,
por ti, todo o verão hei de arder.

Para até mesmo o menor orvalhar,
como lágrimas da menor marg’rida,
encoste em minha pele e torne ao ar,
como sopro da morte que dá a vida.

- O que há?! Resolverei - sem revolta!
Já não posso viver sem tua volta.
E sei que um dia tu dirás - adeus! Parti!

Cons’mido pelo fogo dos olhares,
hei d’enviar o que resta dos meus ares,
para guardar-me - sempre - junto de ti.

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Assim como não quis Lotte,
a Werther, sua morte,
mesmo quando sua presença
as pálpebras enegrecia
- fora tomado pela doença -
tão pobre, já morria!

E descorava à sua fronte
todo o brilho jovial,
que ora olhava o horizonte
num crepúsculo matinal.

E seu rosto era tão belo,
não cabia duvidar.
O rapaz tinha um castelo
projetado com ardor,
construído no sonhar
- o seu rosto era o amor;
seu castelo, amar.

Àquele brilho do mancebo
brindam todos doces vinhos,
degustando de um placebo
uma vida que não tinham.
Vigiados por anjinhos,
que ainda os mantinham
vivos! e só - tadinhos!

Do horizonte vinha o ar
frio, gélido, que constipa;
e não hesita em respirar -
precisa dele pra seu canto
como o menino, sua pipa.
Em cem espécies vê encanto,
mas, só em ti, mais bela tulipa.

Chegada a hora de partir,
vão deixando o sol poente
e as estrelas de existir.
Pois já não mais escurece,
vê tuas cores no gradiente.
- tens razão, já amanhece!
Posto está o sol nascente!

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Imagine um jardim de cor clara;
tão clara que não há o que distingue
flor loira de flor rica ou flor rara
e um menino com seu estilingue.

Ele mira - não há sequer alvo ou razão
- centenas de andorinhas a voar
pequeninas, em meio ao clarão,
que saem das nuvens, do céu, do ar.

Ele sabia: no verão tudo ia acabar.
E em um golpe de olhares sorria;
a´vezinha! coitada - matara! Morria!…

Mas o que o menino não sabia,
pobre dele - era que a ele não cabia
decidir se a primavera ia voltar.

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Oh! dizei-me! se o que vejo
ao fechar dos olhos,
- tão virgens, tão falhos!
não é, senão, fruto de gracejo.

Como flores de teus galhos
orvalhando num adejo;
como bálsamo de teus óleos
com aroma de florejo.

Pois o mais virtuoso trovador
do mais lindo arpejo,
não sabe, sequer, se é amor
ou apenas um solfejo.

Oh! dizei-me! se o que vejo
ao fechar dos olhos,
- tão tristes, tu vale-os!?
é apenas dor e lacrimejo.

Se souberdes quais - fale-os,
tu sabes quanto pelejo;
se puder fazerdes - cale-os,
dá-lhes ordem de despejo!

Como anda o velho senhor
a cuidar de seu vilarejo,
faço - também eu - do sabor
de saudar-lhe, num cortejo!

Faço deste meu ensejo,
de minh´alma com fervor:
entrego - a ti - todo o desejo,
tomo - de ti - teu doce beijo!

Pois tu - e só tu, minha flor,
és tudo que almejo.

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Amo a vida como ama a rosa
abelha que, de flor em flor,
vai zunindo baixo, até onde for,
e faz, da primavera, prosa.

Prosa longa, prosa tardia.
Já passara o inverno - quem diria!
era lá que tu te escondia,
era pra achar-te que tudo faria!

Faria tudo, mas já amanhece.
Olhai os pássaros, fitai o céu!
se, contudo, não mais escurece,
culpai teus lábios, tuas prosas…
tornastes outros: lábios de mel!

Mel do pólen, pólen das rosas
florescem como pintura à janela
é primavera - é ela! é ela!

Recosto num canto, deito o caderno,
sinto-a doce, doce amargura,
pois em meu céu não há maior figura
que teus frios lábios de inverno.

E, se de prosa fazes tua vida,
tocas, flor loira, na maior ferida
que um poeta - das palavras, ourives - pode ter:
é de amores que por ti vives,
é de poesias que fazes viver!

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Sobre quem escrevo - por nada direi!
pois é sob o véu que te escondes
que guardas toda a beleza,
não sei se de fada ou princesa,
que um dia - ah! um dia! terei.

E não importa por onde andes,
se caminhas, corres ou fazes
estripulias em tons de alegria.
Sei que a vida é feita de fases.
Sôo ingênuo - favor, não ria!

Nada mais tenho eu, estou mudo!
se das fases um todo é feito.
Pois minhas partes, meu todo, meu tudo
hão de estar contigo - até na morte, em meu leito!

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És bela como o olhar que acalenta
das aves, diante à tormenta,
a proteger seus ninhos do temor
que traz a tempestade… do amor!?

Soturno, calado, de longe avista
e abre asas, a chama acesa
- é ela! é ela! a presa!
E de perto vê, mas não arrisca.
Asas ao corpo, não quer mais tristeza
- é ela! é ela! a presa!

Tens coração puro como de menina,
que tanto fala… e me fascina!
E, se na altivez do cumprimento não se faz,
é na despedida que lhe digo: - eu quero mais!

Deveras pálido, fraqueja a vista
e abre asas, a chama acesa
- é ela! é ela! a presa!
Não reage, segue à risca.
Asas ao corpo, não quer mais tristeza
- é ela! é ela! a presa!

Tua pele alva, teus lábios maçã,
o arrepio que me causa essa febre terçã.
Lânguido, não sei mais o que fazer,
dá-me teu sorriso, dá-me teu querer!

Sobre rubros seios não hesita
e abre asas, a chama acesa
- é ela! é ela! a presa!
Como um mancebo atrás de sua lolita,
Asas ao corpo, não quer mais tristeza
- é ela! é ela! a presa!

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