Se em teu reino, pequena,
Houver algum forte rei,
Fiques tranquila, serena,
Por ti,
Conquista-lo-ei!

E se não tiverdes castelo,
Sobrado, chalé ou mansão,
Faço do amar um martelo
E dos tijolos, paixão;

Construirei monumento tão belo
Quanto Werther e sua devoção,
Como lenço encantado de Othello
Para roubar-te,
Teu coração!

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Bom dia!
doce princesa,
do olhar desconfiado,
do rosto avermelhado
- de onde escondia
tamanha beleza?

Ternura que consome,
Cativa, como sorriso;
De longe vejo teu nome,
De perto vejo teu riso!

Como estrela, que brilha,
Vejo brilho no teu peito
Que nunca há de ser desfeito
Se do teu amor tu partilha.

Divido contigo esta meta:
Dá-me doce beijo!
Dou-te doce desejo!
nessa doce canção
- Escrita não pelo poeta,
pela mão do coração.

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Falar de amor é como falar de vida
- Uma viagem distante, só de ida.
Amor? Um só. Vida? Também!
Mas, note, vou além!
Aprendi com a vida que o amor nos faz reféns
Não de pessoas, lugares ou bens
Do simples gesto de amar! Digo, assim,
Com a autoridade de quem viveu amor sem fim
- Aprendi com o amor que a vida é
amar e ser amado, com quem aprouver.

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E se o dia clareasse, flor querida,
apontando como certa tua partida,
o que seria de minha mente sã
Se tu morresses amanhã!

E se a primavera não voltasse,
aos poucos desfaleceria esse enlace
do corpo, da alma, de titã
Se tu morresses amanhã!

E se mais uma vez tu sorria,
ah, doce morena, deleitar-me-ia!
em seus vinhos – uva ou romã?
Se tu morresses amanhã!

[...]

Reflexões acerca da poesia:

O desespero do eu lírico, na poesia Se tu morresses amanhã, se encontra na morte do amor, não da amada. Ele a ama independente de vida ou morte, independente que a fonte de inspiração se altere – ele teme, apenas, que ela cesse.

Se tu morresses amanhã é uma poesia eternamente em construção. Ela acompanha as desventuras do eu lírico pelas idas e vindas ao mundo mágico do amor.
Dessas, seu desejo era que as idas fossem eternas, as vindas nunca existissem, mas ele só consegue que, ao menos, por fim, eternas sejam as idas e vindas, como um pêndulo newtoniano em um utópico moto-contínuo do amor – mas este, este sim, nunca pára.

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Se é tênue, não sobrevive;
Irregular, não existe;

Cansei dessa poesia. É com uma prosa – a mesma do dia-a-dia – que irei expressar esse sentimento.

Amo demais. Não como os que abandonam sua sanidade em prol do amor, não desse jeito. Meu amor é lindo. É como mágica. É o sentimento mais puro, mais sublime.

É dele que vivo. Amo meus pais, meus irmãos, meus amigos. Amo a natureza, amo os animais. Amo todos que me amam e quem não me ama também. Afinal, meu amor é enorme, é altivo, é sem fim. Por que eu deixaria de amar alguém? Todos nós precisamos de amor.

Tem os que passam a vida procurando o seu amor. Tem os que amam agora, deixam de amar amanhã… Tem os que hoje amam metade, amanhã mais um pouco… Tem quem perca a vida por amor. Tem quem faça promessas de amor… Tem os que acham que deixaram de amar… Tem os que acham que o amor não vale a pena. Ah, o amor vale muito a pena! Quem pensa que o amor não vale a pena merece muito, mas muito amor. Como diria um provérbio antigo, em português coloquial:

“Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso.”

E pode ter certeza que vou te amar.

Meu amor é inteiro. Eu não o procuro, porque sei que ele está aqui, junto de mim. Meu amor é minha vida. E é por ele que eu vivo. Eu amo hoje, amei ontem, vou amar amanhã e, acima de tudo, carrego a certeza de que vou amar pra sempre. O amor está contido em mim e eu contido nele. Nós dois somos um, como coisas inseparáveis, unidas por sua beleza, sua pureza – amor, vida, vida, amor.

Como dizia a poesia barata:

Se é tênue, não sobrevive;
Irregular, não existe;

Ah, o amor!…

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Quem tu és, doce mulher?
Que entre os arvoredos a passar
entoa cantigas de ninar
e o que mais consigo trouxer.

Seu longo vestido de cor rubra
mal vê-se o fim ao escurecer -
cabe-se nele todas as coisas do mundo!
Mas, o que mais lhe assombra
é que nesse espaço tão profundo
não entre o menino, sujismundo,
do qual ela, sua face, faz enternecer.

- Não fiques assim, doce mulher!
Largai este piano, dolorosa canção!
Não percebes que, contigo, nesta prosa,
figura aquele menino – da imaginação!

- Não te preocupes, se tens sofrido,
até a mais ingênua poesia ti faz com cores.
Tens o azul, entremeando teu vestido,
a completar o vermelho – o menino! – dos teus amores.

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Se tu morresses amanhã, há de saber
se encontraria motivos, no dia, para crer
que a noite a traria de volta, de manhã,
Se tu morresses amanhã!

Nessa triste ilusão, mal saberia
discernir meu peito quente de tua pele fria
que o vento de lá sopraria – um doloroso afã,
Se tu morresses amanhã!

Como um louco com razão, iria eu
em uma taça de vinho, um sorriso teu
atrás daqueles – lembras? Lábios maçã!
Se tu morresses amanhã!

[...]

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Se o vento é forte e tu o precisas,
espero que entendas – tens de entender!
Se no outono tu vives de brisas,
por ti, todo o verão hei de arder.

Para até mesmo o menor orvalhar,
como lágrimas da menor marg’rida,
encoste em minha pele e torne ao ar,
como sopro da morte que dá a vida.

- O que há?! Resolverei – sem revolta!
Já não posso viver sem tua volta.
E sei que um dia tu dirás – adeus! Parti!

Cons’mido pelo fogo dos olhares,
hei d’enviar o que resta dos meus ares,
para guardar-me – sempre – junto de ti.

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Assim como não quis Lotte,
a Werther, sua morte,
mesmo quando sua presença
as pálpebras enegrecia
- fora tomado pela doença -
tão pobre, já morria!

E descorava à sua fronte
todo o brilho jovial,
que ora olhava o horizonte
num crepúsculo matinal.

E seu rosto era tão belo,
não cabia duvidar.
O rapaz tinha um castelo
projetado com ardor,
construído no sonhar
- o seu rosto era o amor;
seu castelo, amar.

Àquele brilho do mancebo
brindam todos doces vinhos,
degustando de um placebo
uma vida que não tinham.
Vigiados por anjinhos,
que ainda os mantinham
vivos! e só – tadinhos!

Do horizonte vinha o ar
frio, gélido, que constipa;
e não hesita em respirar -
precisa dele pra seu canto
como o menino, sua pipa.
Em cem espécies vê encanto,
mas, só em ti, mais bela tulipa.

Chegada a hora de partir,
vão deixando o sol poente
e as estrelas de existir.
Pois já não mais escurece,
vê tuas cores no gradiente.
- tens razão, já amanhece!
Posto está o sol nascente!

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Imagine um jardim de cor clara;
tão clara que não há o que distingue
flor loira de flor rica ou flor rara
e um menino com seu estilingue.

Ele mira – não há sequer alvo ou razão
- centenas de andorinhas a voar
pequeninas, em meio ao clarão,
que saem das nuvens, do céu, do ar.

Ele sabia: no verão tudo ia acabar.
E em um golpe de olhares sorria;
a´vezinha! coitada – matara! Morria!…

Mas o que o menino não sabia,
pobre dele – era que a ele não cabia
decidir se a primavera ia voltar.

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